Uma paciente agrediu duas médicas na manhã desta sexta-feira (21) na UPA Morada do Ouro, em Cuiabá. O ataque aconteceu por volta das 11h e gerou tumulto na unidade, onde pacientes e funcionários presenciaram a confusão.
Testemunhas informaram que a mulher avançou contra uma médica durante o atendimento. A colega interveio imediatamente para conter a agressora, mas sofreu arranhões nos braços e teve a blusa rasgada. As médicas deixaram o plantão e seguiram até a delegacia, onde registraram boletim de ocorrência e denunciaram a violência.
Médicas formalizam denúncia e cobram segurança no ambiente de trabalho
As duas profissionais formalizaram a denúncia na delegacia e pediram providências. Elas cobraram reforço na segurança das unidades de saúde e relataram que trabalham com medo.
O episódio escancarou a vulnerabilidade dos profissionais da linha de frente. Em contato com a reportagem, outros servidores da saúde confirmaram que agressões — físicas ou verbais — se tornaram frequentes.
Paciente relata histórico psiquiátrico e acusa equipe de agressividade
Em seu perfil nas redes sociais, a paciente envolvida no episódio relatou que possui diagnóstico de borderline, transtorno de ansiedade generalizada, depressão e insônia crônica. Ela afirmou que estava há mais de seis dias tentando suicídio e, diante da situação, tomou a iniciativa de acionar o Samu. Segundo ela, o Corpo de Bombeiros atendeu rapidamente e a encaminhou à UPA Morada do Ouro.
De acordo com seu relato, ao chegar na unidade, a médica plantonista informou que só faria o atendimento após finalizar uma sutura. A paciente alegou que já havia tido conflitos anteriores com essa mesma profissional e, por isso, pediu para ser atendida por outra médica. Ainda conforme sua versão, o médico do Samu concordou com a troca, visto que a conduta da doutora teria sido ríspida.
A paciente afirmou que recebeu uma medicação em dose baixa, e que seu marido permaneceu na porta da sala com o papel da medicação, que segundo ela deveria ser administrada de forma imediata. No entanto, a enfermeira teria gritado com todos, inclusive com o acompanhante, pedindo para que esperassem do lado de fora.
A paciente relatou que a situação gerou um surto emocional ao ver a forma grosseira com que o marido foi tratado. Afirmou que a médica a chamou de desequilibrada e problemática, o que agravou sua condição emocional. Ela negou ter conseguido agredir a profissional, dizendo que seu marido a impediu de avançar. Contou que apenas rasgou a blusa da médica e que foi a própria doutora quem a puxou pelos cabelos, rompendo a alça do vestido e agravando ferimentos já existentes.
Segundo o relato, ela foi à delegacia, fez exame de corpo de delito e registrou boletim de ocorrência.
Médica nega agressão e afirma que apenas protegeu a equipe durante surto
A médica envolvida também se manifestou oficialmente por meio das redes sociais, com o apoio de sua representação legal. No comunicado, ela esclareceu que, durante o episódio ocorrido na UPA Morada do Ouro, sua única atuação foi para proteger a equipe de saúde durante uma situação de agressão dentro da sala de medicação.
Segundo a nota, outra médica da unidade já havia feito a avaliação inicial da paciente, conforme os protocolos vigentes. A médica também destacou que, devido à alta demanda no momento, a enfermeira responsável aplicou o procedimento padrão da unidade, permitindo que apenas crianças e idosos permanecessem acompanhados dentro da sala de medicação.
Conforme o comunicado, após receber essa orientação, a paciente passou a agredir verbal e fisicamente a equipe, incluindo a enfermeira. A médica declarou que entrou na sala apenas para tentar conter a situação e proteger os demais presentes, sendo também agredida nesse momento.
A profissional destacou que todas as condutas adotadas seguiram os protocolos clínicos internos. A nota explica que, segundo avaliação médica inicial, a paciente não apresentava surto, desorientação ou instabilidade que justificasse exceção para a permanência contínua de acompanhante, e que quadros depressivos, por si só, não configuram essa necessidade técnica.
A médica concluiu o comunicado reafirmando que o caso demonstra a carência urgente de segurança especializada nas unidades públicas. Informou ainda que já tomou as medidas legais cabíveis e permanece à disposição das autoridades, reforçando seu compromisso com um atendimento ético, responsável e seguro para todos.
Perguntas frequentes
Sim, especialmente quando enfrentam ameaças ou agressões no ambiente de trabalho.
Sim. A UPA deve prestar o primeiro atendimento e, se necessário, encaminhar o paciente para unidade especializada.
A agressão configura crime e permite abertura de inquérito policial, com possibilidade de prisão em flagrante.
