Um dos momentos mais comoventes e controversos da rodada final da fase de grupos da Libertadores não aconteceu com a bola rolando. Aos 41 minutos do segundo tempo, logo após o gol da virada do São Paulo sobre o Talleres, o lateral-esquerdo Miguel Navarro caiu em lágrimas no gramado do MorumBIS. Segundo companheiros e o próprio jogador, o motivo foi um insulto xenofóbico vindo de Damián Bobadilla, volante do Tricolor: “venezuelano morto de fome”.
— . (@spfcpicsvideos) May 27, 2025
Reação imediata e clima de tensão
O campo virou cenário de comoção. Jogadores de ambos os times se aproximaram para consolar Navarro, enquanto o jogo ficou temporariamente paralisado. Ainda assim, o árbitro não sinalizou o protocolo da FIFA para casos de racismo, que prevê o gesto dos punhos cruzados sobre a cabeça. A ausência desse sinal, somada ao silêncio inicial do jogador ofendido, gerou críticas nas redes e entre especialistas em direitos humanos.
Palavras pesam mais que gols
O Talleres denunciou o episódio sem hesitar. Durante a entrevista oficial após o apito final, Augusto Schott assumiu a fala e acusou diretamente o volante Bobadilla de proferir um insulto racista contra Navarro. Logo depois, o técnico Mariano Levisman ampliou a denúncia ao declarar que Bobadilla praticou xenofobia ao atacar a nacionalidade do jogador venezuelano, enfatizando que esse tipo de ofensa agride, fere e jamais merece tolerância.
A denúncia que pode virar precedente
Navarro procurou a Polícia Militar no estádio, mas até o momento não há confirmação oficial de registro de boletim de ocorrência. A Conmebol também não se pronunciou. Se a denúncia avançar, o caso pode abrir um importante precedente para punições mais duras a atos de discriminação no futebol sul-americano.
Perguntas e respostas:
Historicamente, a Conmebol se manifesta com atraso. A pressão pode mudar isso.
O árbitro tem responsabilidade direta e deveria ter parado o jogo com o gesto.
Até agora, Bobadilla não comentou. O clube pode agir internamente antes de decisão externa.

