Durante a vitória do São Paulo por 2 a 1 sobre o Talleres pela Libertadores, o volante Damían Bobadilla se viu no centro de uma polêmica. Acusado de xenofobia pelo venezuelano Miguel Navarro, o jogador do Tricolor admitiu ter se excedido e pediu desculpas públicas. O caso reacende o debate sobre intolerância no futebol sul-americano e revela fissuras ainda expostas em um ambiente que deveria ser de união.
Bobadilla posta um vídeo pedindo desculpas: “nunca tive a intenção de discriminar ninguém, mas durante aquele momento quente acabei reagindo mal. Queria me desculpar publicamente e pedirei desculpa se encontrá-lo pessoalmente”. pic.twitter.com/3OqaNJIZZC
— Felipe Ruiz (@FelipeGomesRuiz) May 28, 2025
O que foi dito e como isso impactou o jogo
Aos 41 minutos do segundo tempo, logo após o São Paulo marcar o segundo gol, os jogadores iniciaram uma discussão acalorada que desviou completamente a atenção da partida. Bobadilla, do São Paulo, proferiu a expressão “venezuelano morto de fome” ao se dirigir a Navarro, que atua pelo Talleres. Navarro chorou ao ouvir a ofensa e ameaçou sair de campo, visivelmente abalado. A Polícia Militar entrou nos vestiários em busca de Bobadilla, mas não conseguiu encontrá-lo, pois o jogador já havia deixado o local.
Pedido de desculpas ou estratégia?
Bobadilla publicou um vídeo nas redes sociais, assumiu que respondeu às provocações durante o jogo e expressou arrependimento pela forma como reagiu. Ele explicou que Navarro o ofendeu primeiro e, tomado pela tensão da partida, proferiu a ofensa. Em seguida, dirigiu um pedido de desculpas diretamente ao jogador do Talleres e ao público afetado pela sua fala. Mesmo com o posicionamento público, Bobadilla não apagou os impactos de uma declaração que reforçou estigmas históricos e perpetuou a discriminação contra migrantes latino-americanos.
Xenofobia no futebol: um velho problema
A Conmebol registrou 17 episódios de injúrias discriminatórias em torneios continentais só em 2023, o que demonstra que episódios como o de Bobadilla não ocorrem de forma isolada. Esses casos evidenciam desigualdades sociais profundas e, ao se repetirem dentro dos estádios, reforçam estigmas contra nacionalidades historicamente marginalizadas. As instituições responsáveis mantêm posturas brandas diante das denúncias, e os clubes, ao optarem pelo silêncio, fortalecem a cultura de intolerância que ainda persiste no futebol sul-americano.
Perguntas e respostas:
Sim. A Conmebol prevê suspensão de até cinco jogos para atitudes discriminatórias.
Pode. O caso pode ser enquadrado como injúria racial no Brasil, mesmo sendo de natureza xenofóbica.
Até o momento, o clube não divulgou nota oficial sobre o episódio.
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