Justiça determina suspensão de time de futebol “Amigos do WT” ligado ao Comando Vermelho; SAIBA TUDO

A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Operação Fair Play, conseguiu interromper as atividades do time de futebol amador “Amigos do WT”. O juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, responsável pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), suspendeu o time, que lideranças de uma facção criminosa usavam como fachada para lavar dinheiro.

Justiça determina suspensão de time de futebol "Amigos do WT" ligado ao Comando Vermelho; SAIBA TUDO

O futebol amador como estratégia para lavagem de dinheiro

O time “Amigos do WT” não se limitava apenas à prática esportiva, mas servia também como uma fachada para atividades criminosas em Cuiabá. De acordo com as investigações da Polícia Civil, membros da facção Comando Vermelho (CV) usavam o futebol amador para mascarar grandes movimentações financeiras provenientes de atividades ilícitas. Além disso, o clube estava envolvido em outros projetos, como a construção de um centro de treinamento e a distribuição de cestas básicas para a comunidade local.

Essas ações aparentemente benéficas tinham como objetivo não apenas a lavagem de dinheiro, mas também a expansão da influência da facção sobre a população. Grupos criminosos frequentemente recorrem a projetos sociais para ganhar a confiança das comunidades e, assim, aumentar seu poder de domínio, enquanto disfarçam suas atividades ilegais com o uso de iniciativas beneficentes.

A Operação Fair Play: prisões e apreensões

A Operação Fair Play, deflagrada na última quarta-feira (27), resultou em várias prisões e apreensões de bens. Os alvos da operação incluíam jogadores do time, membros da facção criminosa e outros envolvidos diretamente na estrutura do esquema. Como parte da ação, a Polícia Civil também bloqueou imóveis e veículos adquiridos com recursos originados de atividades criminosas.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou o empresário Andrew Nickolas Marques dos Santos, proprietário do time, como um dos principais envolvidos na lavagem de dinheiro. Ele utilizava o time “Amigos do WT” e outros clubes amadores como fachada para esconder lucros provenientes de suas atividades ilícitas. Além disso, a facção criminosa recorria ao uso de “laranjas” para adquirir imóveis e veículos de luxo, tentando, assim, dissimular a origem dos recursos ilícitos.

A operação também revelou que o futebol amador estava sendo usado pela facção para atrair jovens, especialmente em bairros periféricos de Cuiabá. A proposta era oferecer treinamento esportivo como uma alternativa à marginalidade, conquistando novos integrantes para o grupo criminoso. A facção financiava esses centros de treinamento com dinheiro ilícito, visando consolidar sua presença nas comunidades e expandir seu domínio.

O impacto da lavagem de dinheiro no setor esportivo

A Operação Fair Play expôs uma nova face da lavagem de dinheiro, revelando como facções criminosas se infiltram em setores tradicionalmente distantes de atividades ilegais, como o esporte. Facções criminosas usaram times de futebol amador em outras partes do Brasil como instrumentos para praticar atividades ilegais.

Esse fenômeno, embora específico para Cuiabá neste caso, não é único. Facções criminosas usaram times de futebol amador em outras partes do Brasil como instrumentos para praticar atividades ilegais. A operação evidencia a necessidade urgente de maior fiscalização em entidades esportivas, principalmente em clubes amadores sem estrutura de monitoramento. Além disso, ilustra a complexidade dos crimes de lavagem de dinheiro, que envolvem empresas de fachada e estratégias para ocultar a origem dos recursos ilícitos. Dessa forma, o controle eficiente torna-se essencial para combater práticas criminosas no esporte.