Uma forte ventania atingiu a cidade de São Paulo nesta quarta-feira (10) e provocou um dos maiores impactos operacionais do ano nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos. Mesmo sem chuva ou tempestades, o fenômeno durou cerca de 12 horas e derrubou a malha aérea nacional. Até esta quinta-feira (11), mais de 300 voos haviam sido cancelados, adiados ou desviados, formando longas filas, acumulando reclamações e deixando passageiros sem assistência adequada.
Rajadas de 98 km/h e efeitos de um ciclone extratropical
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que São Paulo foi atingida pela passagem de um ciclone extratropical, responsável pelas rajadas que chegaram a 98 km/h. O vento intenso reduziu drasticamente a segurança de pousos e decolagens, levando autoridades aeronáuticas a restringirem operações em Congonhas e Guarulhos.
Segundo meteorologistas, ventos dessa magnitude podem comprometer o alinhamento das aeronaves durante o pouso e gerar riscos na fase inicial da decolagem. Por isso, reduções na capacidade operacional tornam-se medidas obrigatórias, ainda que causem grande efeito dominó na malha aérea.
Passageiros dormem no chão, enfrentam filas e relatam abandono
No Aeroporto de Congonhas, a reportagem da Itatiaia registrou passageiros dormindo no chão e filas que se estendiam por vários corredores. Entre os relatos, o de João Lucas ganhou destaque. Sem conseguir embarcar para Porto Seguro, ele afirmou estar há dois dias no aeroporto aguardando realocação. Segundo contou, a companhia aérea prometeu hotel, mas a reserva não existia.
“Já faz dois dias que eu tô aqui, cara, dormindo no aeroporto, porque a Latam ficou de arrumar um hotel pra gente e não arruma. Ontem até falaram que arrumaram, a gente chegou lá tipo 11 horas da noite, porque tava na fila aqui. Chegando lá, não tinha nada marcado”, disse ele.
O caso expõe a dificuldade de companhias aéreas em lidar com eventos climáticos inesperados. Passageiros relatam dúvidas, falta de comunicação e sensação de abandono.
Mais de 300 voos afetados em dois dias de caos
Congonhas registrou 227 voos afetados na quarta-feira, com 181 cancelamentos. Na manhã desta quinta-feira, outros 46 voos foram suspensos. Em Guarulhos, entre quarta e quinta, 61 chegadas e 56 partidas foram canceladas, totalizando 117 operações impactadas.
A previsão é de que as companhias aéreas levem horas — e em alguns casos dias — para reorganizar a programação.
Perguntas frequentes:
Por que tantos voos foram cancelados sem chuva?
O vento de quase 100 km/h compromete a segurança de pousos e decolagens, mesmo sem tempestades.
As companhias devem oferecer assistência aos passageiros?
Sim. Em situações de atraso e cancelamento, as empresas precisam fornecer alimentação, hospedagem e realocação.
Quando a operação deve normalizar?
A normalização depende da reorganização das companhias e da estabilização do clima, podendo levar até dois dias.
