O ex-presidente peruano Alberto Fujimori faleceu aos 86 anos, conforme anunciou sua filha, Keiko Fujimori. Após enfrentar uma longa batalha contra o câncer, sua morte marca o fim de uma era polêmica na política peruana. Fujimori, que governou o país de 1990 a 2000, deixa um legado controverso, caracterizado por conquistas econômicas e, ao mesmo tempo, graves violações de direitos humanos. Essas questões resultaram em divisões profundas entre seus apoiadores e críticos.
Ascensão e desafios durante o governo
Fujimori chegou à presidência em 1990, num momento crítico para o Peru, que enfrentava uma grave crise econômica e a crescente ameaça do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso. Inicialmente, ele implementou medidas econômicas severas para estabilizar o país e combater o terrorismo. Suas políticas de “mão de ferro” foram amplamente elogiadas por conter a insurgência, mas, por outro lado, também causaram críticas por resultarem em graves violações dos direitos humanos, incluindo execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados.
Fujimori estabilizou a economia e combateu a violência no Peru, mas seu governo foi marcado por escândalos de corrupção. Em 2000, ele renunciou abruptamente.
Prisão e condenação por crimes contra a humanidade
Em 2005, as autoridades chilenas prenderam Fujimori, e ele foi extraditado ao Peru em 2007. Posteriormente, em 2009, a Justiça o condenou a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, incluindo seu envolvimento em massacres e sequestros. Esta condenação se tornou um marco na América Latina, ao demonstrar que mesmo líderes autoritários podem ser responsabilizados por seus atos. Embora preso, Fujimori manteve forte influência política no Peru por meio de sua filha, Keiko Fujimori, que lidera o partido Fuerza Popular e já disputou a presidência em várias eleições.
A luta contra o câncer e seus últimos anos
Nos últimos anos, Fujimori enfrentou uma série de complicações de saúde. Diagnosticado com câncer, ele passou por diversos tratamentos enquanto ainda cumpria sua sentença. Em 2017, Pedro Pablo Kuczynski concedeu um indulto humanitário a Fujimori. No entanto, em 2018, autoridades revogaram o benefício, gerando grandes controvérsias no cenário político peruano.
Keiko Fujimori, em um comunicado emocionado, anunciou a morte de seu pai com as palavras: “Após uma longa batalha contra o câncer, nosso pai, Alberto Fujimori, acaba de partir para o encontro com o Senhor aos 86 anos. Pedimos àqueles que o estimaram que nos acompanhem com uma oração pelo descanso eterno de sua alma. Obrigado por tudo, papai”. A família solicitou privacidade e orações neste momento de luto.
O legado de Alberto Fujimori
O legado de Fujimori permanece extremamente dividido. Seus apoiadores o consideram um herói por ter combatido o terrorismo e estabilizado a economia peruana, resgatando o país de uma profunda crise. Contudo, seus críticos sempre apontaram para os escândalos de corrupção, a repressão política e os crimes contra a humanidade cometidos durante seu governo.
Com a morte de Alberto Fujimori, o Peru encerra um dos capítulos mais turbulentos de sua história política. A influência do “fujimorismo” na política peruana, especialmente por meio de sua filha Keiko, ainda é incerta, mas a figura de Alberto Fujimori continuará sendo amplamente discutida, tanto como um líder autoritário quanto como um político que moldou a história do país de maneira decisiva.

![OMT - ATUALIZAÇÃO - MEGABANNER TOPO [ADOPS INS 3055 | CAMP 1053 | PI 9784 - PREF CBA | ADOPS-OMT-3055 | atualizacaocadastro_825x120-4.gif]](http://omatogrossense.nyc3.digitaloceanspaces.com/app/uploads/2026/09/26160511/atualizacaocadastro_825x120-4.gif)