Na última sexta-feira (23), Robert Kennedy Jr. anunciou sua desistência da corrida presidencial dos Estados Unidos como candidato independente. Kennedy surpreendeu muitos ao declarar seu apoio a Donald Trump, durante um pronunciamento em Phoenix, Arizona. Ele afirmou que, embora não encerrasse oficialmente sua campanha, decidiu suspendê-la por não enxergar um caminho realista para a vitória.
Robert Kennedy Jr., conhecido como RFK, explicou que sua decisão de suspender a campanha visa evitar um possível fortalecimento de Kamala Harris, atual vice-presidente dos Estados Unidos e candidata à reeleição. Ele declarou que manteria seu nome nas cédulas de alguns estados, mas retiraria sua candidatura em outros. Kennedy afirmou que tomaria essa decisão em estados onde sua presença poderia influenciar negativamente o resultado da disputa entre Donald Trump e Kamala Harris.
Kennedy disse que, em estados predominantemente democratas ou republicanos, os eleitores poderiam votar nele sem afetar significativamente a disputa entre os dois principais candidatos. No entanto, em cerca de dez estados decisivos, ele pediu que seus apoiadores não votassem nele, alegando que sua presença nesses locais poderia alterar o equilíbrio da eleição.
As razões por trás do apoio a Donald Trump
Kennedy justificou sua escolha de apoiar Donald Trump com base em três temas centrais: a liberdade de expressão, a guerra na Ucrânia e o que ele denominou de “guerra contra nossas crianças”. Ele argumentou que Trump representa uma alternativa mais favorável para lidar com essas questões, distanciando-se das políticas defendidas por Kamala Harris e pelo Partido Democrata.
Ao longo de seu discurso, Kennedy criticou a imprensa e o Partido Democrata. Ele acusou ambos de sabotar sua campanha ao excluí-lo de debates e marginalizá-lo nas pesquisas. Kennedy também reclamou das exigências burocráticas que dificultaram seu registro como candidato independente, o que, segundo ele, dificultou ainda mais sua campanha.
O impacto da saída de Kennedy Jr. na eleição
A desistência de Kennedy Jr. pode alterar significativamente o cenário eleitoral entre Kamala Harris e Donald Trump. De acordo com o agregador de pesquisas 538, Kennedy tinha cerca de 5% das intenções de voto. Esse percentual pode ser decisivo em estados onde a disputa está acirrada.
O professor da Universidade George Washington, Mauricio Moura, analisou que a migração dos eleitores de Kennedy Jr. deve se dividir. Segundo Moura, muitos dos eleitores de RFK Jr. são contrários tanto a Trump quanto ao Partido Democrata, o que dificulta uma transição direta para o campo de Trump. Ele acredita que a maioria desses eleitores pode acabar não apoiando nenhum dos dois principais candidatos.
Quem é o candidato Robert Kennedy Jr.?
Robert Kennedy Jr. carrega um nome com grande peso histórico. Ele é sobrinho do ex-presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963, e filho de Robert Kennedy, ex-procurador-geral dos EUA, também assassinado em 1968, enquanto concorria à presidência. Diferente de seus familiares, Kennedy construiu sua carreira como advogado ambiental, atuando como defensor de causas ambientais, antes de se aventurar na política nacional.
Kennedy iniciou sua candidatura como concorrente nas primárias democratas, desafiando o atual presidente Joe Biden. No entanto, em outubro de 2023, ele decidiu abandonar o Partido Democrata e se lançar como candidato independente. Ele justificou essa escolha citando divergências com a plataforma do partido e seu desejo de oferecer uma terceira via para o eleitorado americano.
O futuro político de Kennedy Jr.
Mesmo com a suspensão de sua campanha, Robert Kennedy Jr. ainda pode exercer influência no cenário político americano. Seu apoio a Donald Trump tem potencial para influenciar o resultado da eleição em estados decisivos, onde sua retirada pode beneficiar diretamente o ex-presidente republicano.
Enquanto o cenário eleitoral dos Estados Unidos continua evoluindo, a saída de Kennedy Jr. e seu apoio a Trump acrescentam uma nova camada de complexidade à já disputada eleição entre Kamala Harris e Donald Trump. O comportamento do eleitorado de Kennedy nos próximos meses será crucial para determinar o impacto de sua saída no desfecho da corrida presidencial.

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