Produtores registram redemoinho de fogo em meio a incêndio no cerrado; veja vídeo

Um redemoinho de fogo surgiu no último sábado (17) em uma área de Cerrado entre Tangará da Serra e Reserva do Cabaçal, no Mato Grosso, aumentando a propagação das chamas e gerando grande preocupação entre moradores e autoridades. O fenômeno ocorreu no fim da tarde e intensificou o incêndio, que já devastou cerca de 40 mil hectares de vegetação – o equivalente a 40 mil campos de futebol.

Redemoinho de fogo: um fenômeno raro e devastador

Esse tipo de redemoinho, conhecido como “firenado”, forma-se quando o calor extremo, ventos fortes e a presença de chamas criam correntes de ar que ascendem rapidamente, gerando uma coluna giratória de fogo. No caso registrado em Mato Grosso, o redemoinho cruzou aceiros de 40 metros, demonstrando sua força destrutiva.

O produtor Cássio Caramori registrou o momento em vídeo e relatou que o fenômeno atingiu várias propriedades, continuando a espalhar as chamas. “A situação está crítica. Vários redemoinhos surgem na área, que é de difícil acesso. Não conseguimos usar caminhões para apagar o fogo”, afirmou Caramori. Ele destacou a urgência de apoio com aeronaves e maquinário pesado, como pá carregadeiras, para o combate ao incêndio.

Incêndio ameaça propriedades rurais

O incêndio começou há 30 dias, mas, na última semana, atingiu grandes proporções, ameaçando diretamente propriedades rurais. Equipes do Corpo de Bombeiros chegaram à área na última sexta-feira (16) e seguem na tentativa de controlar o fogo. Voluntários e produtores locais se uniram para construir aceiros e tentar impedir o avanço das chamas.

Risco de o fogo atingir outros municípios

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o incêndio já devastou uma área próxima ao Rio Jauru, e o fogo pode alcançar outros municípios, como Vale de São Domingos, Jauru e Araputanga, se não for controlado. O estado de Mato Grosso já contabiliza mais de 15,8 mil focos de queimadas em 2023, com 5,2 mil deles ocorrendo em áreas de Cerrado.

Além de destruir propriedades, o incêndio compromete a fauna e flora nativas do Cerrado, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do Brasil.