Atualmente, os cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, estão se tornando cada vez mais populares entre os adolescentes. Além disso, pesquisas recentes indicam que problemas como depressão, estresse e solidão estão diretamente conectados ao aumento desse hábito entre os jovens. Adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, especialmente aos 14, têm mostrado uma tendência maior a experimentar esses dispositivos. Nesse contexto, o estresse e os quadros depressivos aparecem como os principais fatores que desencadeiam o uso de vapes.

A saúde mental e sua relação com o uso de vapes
Estudos internacionais revelam uma forte correlação entre a saúde mental e o uso de cigarros eletrônicos. Adolescentes que apresentam sintomas de depressão têm o dobro de chances de utilizar vapes em comparação com aqueles que não apresentam sinais de transtornos emocionais. Além disso, jovens que relataram níveis moderados de estresse são 74% mais propensos a utilizar cigarros eletrônicos. De forma semelhante, o estresse elevado aumenta esse número em 64%. Esses dados reforçam a ideia de que a saúde emocional dos adolescentes exerce uma influência direta no início do uso dos vapes.
Frequentemente, o início do uso de cigarros eletrônicos ocorre em um período crítico de desenvolvimento. Aos 14 anos, muitos adolescentes enfrentam intensas mudanças emocionais e sociais, o que aumenta a vulnerabilidade ao uso dessas substâncias. Portanto, fica evidente que o momento de desenvolvimento psicológico tem um impacto significativo no comportamento de uso.
Vapes como alternativa de “automedicação”
Adicionalmente, pesquisas sugerem que muitos adolescentes recorrem ao cigarro eletrônico como uma forma de automedicação. A nicotina presente nos vapes, embora prejudicial, pode proporcionar alívio temporário dos sintomas de ansiedade e estresse. Contudo, esse alívio é momentâneo, e o uso contínuo dos vapes tende a piorar os problemas emocionais ao longo do tempo. Por isso, o ciclo de dependência se reforça, levando a um uso ainda mais frequente e danoso.
O crescimento do uso no Brasil e no mundo
No Brasil, o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes também segue uma tendência crescente. De acordo com o IBGE, aproximadamente 17% dos jovens brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram os vapes. Internacionalmente, em países como a Austrália, os dados revelam que 8,3% dos adolescentes já utilizaram vapes pelo menos uma vez.
Além disso, muitos adolescentes acreditam erroneamente que os vapes são menos prejudiciais do que os cigarros convencionais. Essa percepção distorcida contribui para o aumento no uso, especialmente porque a nicotina presente nos vapes possui um elevado potencial viciante, que pode gerar graves problemas de saúde a longo prazo. Esses problemas incluem, por exemplo, doenças respiratórias e cardiovasculares. Ademais, a falta de regulamentação rigorosa em diversos países permite que o uso desses dispositivos continue a se proliferar entre os jovens.
A necessidade de intervenções urgentes
Nesse sentido, especialistas defendem a urgência de intervenções que combinem o cuidado com a saúde mental e medidas preventivas contra o uso de cigarros eletrônicos. A professora Emily Stockings, coautora de um estudo sobre o tema, enfatiza que o tratamento da saúde mental dos adolescentes é essencial para frear o aumento do uso dos vapes. Sem esse suporte emocional adequado, os jovens continuarão a buscar alternativas prejudiciais para lidar com suas angústias e ansiedades.

