A investigação começou quando o secretário de Segurança Pública, coronel Denardi, levou à Polícia Civil de Sorriso uma denúncia sobre possível venda irregular de veículos apreendidos no município. Na manhã deste sábado (25/10), a corporação cumpriu mandado de busca e apreensão em uma residência da Rua Una, no bairro Rota do Sol, e apreendeu um dos veículos supostamente vinculados ao esquema. Segundo informações iniciais, o grupo negociou ao menos 69 veículos ilegalmente, com indícios de que parte do material chegou a ser comercializado para fora de Mato Grosso, inclusive para o Pará.
O funcionamento do esquema
As investigações indicam que um agente da Guarda Municipal de Sorriso atuou como elo interno no pátio municipal, identificando veículos “vulneráveis” — automóveis e motos com documentação irregular ou abandonados há tempo — e liberando-os mediante falsificação de documentos e procurações. Em troca, recebia valores que variavam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por veículo. Um dos delatores relatou que o processo envolvia o uso de cartórios, termos falsos e intermediários para dar aparência de legalidade às transações.
Alcance estadual e impactos potenciais
Além da atuação local em Sorriso, as investigações descobriram que o esquema ganhou dimensão interestadual, com envio de veículos para o Pará. A movimentação financeira já ultrapassava R$ 1 milhão no início das apurações. A cidade, que fica a cerca de 393 km de Cuiabá, tornou-se palco de uma operação que evidencia as vulnerabilidades existentes no controle de bens apreendidos por órgãos públicos.
Desdobramentos e medidas institucionais
Durante a operação, quatro pessoas tiveram mandado de prisão cumprido — entre elas o servidor apontado pela investigação como líder do esquema. A Prefeitura de Sorriso divulgou nota afirmando que colaborou com a Polícia Civil, afastou preventivamente o agente suspeito e reforçou compromisso com transparência e legalidade. O secretário Denardi ressaltou que o caso servirá para revisar mecanismos de controle, auditoria e fiscalização no pátio de apreensões municipal.
Perguntas frequentes:
Pelo menos 69 veículos, entre carros e motocicletas.
A movimentação ultrapassou R$ 1 milhão segundo as investigações.
Um agente da Guarda Municipal é investigado como líder; quatro pessoas já tiveram prisão decretada.
