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Coronel réu por feminicídio diz que vídeo com arma apontada para a cabeça foi criado por inteligência artificial; Veja vídeo

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, afirmou à Corregedoria da Polícia Militar que um vídeo no qual aparece chorando e apontando uma arma para a própria cabeça teria sido produzido por inteligência artificial. O oficial, que permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, apresentou a versão durante um interrogatório realizado por videoconferência. Familiares de Gisele, porém, relataram aos investigadores que Geraldo teria enviado o vídeo depois que a soldado terminou o relacionamento com ele.

Coronel nega vídeo e fala em suposta montagem

Durante o depoimento, Geraldo negou categoricamente que tenha apontado uma arma para a própria cabeça ou aparecido chorando na gravação. Segundo ele, o conteúdo seria uma montagem produzida a partir de uma videochamada realizada com Gisele.

O oficial afirmou que a esposa era “mais ciumenta” do que ele e, por isso, costumava fazer videochamadas. Conforme sua versão, Gisele pedia que ele mantivesse o braço esticado durante as ligações para que pudesse visualizar o ambiente ao fundo.

Geraldo declarou ainda que a desconfiança estaria relacionada à possibilidade de ele sair à noite para bares, especialmente às quintas-feiras. Na versão apresentada à Corregedoria, uma dessas videochamadas teria servido como base para a suposta manipulação posteriormente apresentada como vídeo.

Familiares apresentam versão diferente sobre gravação

Os relatos de familiares de Gisele divergem da versão apresentada pelo tenente-coronel. Segundo depoimentos prestados durante a investigação, Geraldo teria enviado a gravação após a soldado decidir terminar o relacionamento.

Nesse vídeo, conforme os familiares, o oficial apareceria chorando e apontando uma arma para a própria cabeça. Um parente da vítima posteriormente entregou o registro aos investigadores responsáveis pelo caso.

A alegação de que inteligência artificial teria sido utilizada para produzir o conteúdo representa a versão apresentada pela defesa do réu. O material fornecido não informa sobre eventual perícia específica que tenha confirmado adulteração ou geração do vídeo por IA.

Laudo aponta incompatibilidades com hipótese de suicídio

Geraldo permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes e sustenta que Gisele tirou a própria vida porque não teria aceitado o fim do relacionamento.

Entretanto, elementos reunidos durante a investigação confrontam essa versão. Conforme as informações apresentadas no caso, um laudo complementar produzido pela Polícia Científica identificou incompatibilidades materiais com a hipótese de suicídio.

A perícia também concluiu que a possibilidade de intervenção de uma segunda pessoa resistiu à análise dos vestígios encontrados. Geraldo responde como réu pelo feminicídio da esposa, mas a responsabilidade criminal será definida pela Justiça ao longo do processo.

Enquanto isso, a alegação de que o vídeo teria sido produzido por inteligência artificial passa a integrar as versões apresentadas no caso e deverá ser confrontada com as demais provas reunidas na investigação.