O “se” que atormenta

O “se” que atormenta

A partícula “se” é tão pequena, duas letras só, mas tem um tamanho enorme dentro da cabeça. Ela aparece do nada e abre um portal que nunca sei bem como fechar.

“E se eu não tivesse me casado?”
“E se eu não tivesse ficado nesta cidade?”
“E se eu tivesse vivido solteira?”
“E se eu não tivesse engravidado?”

Esses “ses” olham para trás e inventam uma vida paralela. Uma versão minha que eu nunca vou conseguir comprovar. Não dá para voltar e conferir como seria. E isso angustia porque parece que estou questionando meu destino inteiro.

Só que o “se” não mora só no passado. Ele também aparece bem no meio do presente, justamente quando preciso escolher. “E se eu aceitar esse trabalho?” “E se eu mudar de novo?” “E se eu disser não?” A cabeça corre na frente, tenta adivinhar o futuro, como se houvesse uma escolha perfeita escondida em algum lugar. E aí vem o medo de errar, de perder algo, de me arrepender. O “se” vira uma sombra em cima da decisão.

Talvez por isso ele pese tanto: ele mexe com o que foi, com o que é e com o que ainda pode ser. Mas não é bom viver dentro dele. Olhar para o passado é saudável, porque ensina e ajeita o olhar. Pensar no futuro também é necessário, porque ninguém escolhe no escuro. O problema é quando o “se” vira morada e não passagem.

No fim, o que acalma é aceitar as escolhas que fiz e acreditar nas escolhas que estou fazendo. O passado orienta, o futuro inspira, mas é o presente que sustenta a vida. E é nele que eu preciso estar.

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