Brasil e Mundo

O outro lado do megaempreendimento no MS

Enquanto o governo celebra a instalação da maior fábrica de celulose do mundo no Mato Grosso do Sul, especialistas alertam para os riscos de um crescimento que pode beneficiar mais o capital estrangeiro do que a população local. A Arauco, multinacional chilena, recebeu generosos incentivos fiscais para se estabelecer no estado, mas quais serão os reais benefícios para os brasileiros?

Quem lucra com a fábrica bilionária

A promessa de geração de empregos esconde uma realidade complexa. Dados de empreendimentos similares mostram que apenas 30% dos postos de trabalho são ocupados por mão-de-obra local, enquanto cargos qualificados e de gestão costumam ser preenchidos por estrangeiros. Além disso, os salários na indústria de celulose estão entre os mais baixos do setor industrial.

O mito da sustentabilidade

A empresa promete “florestas sustentáveis”, mas o cultivo de eucalipto em larga escala já mostra seus impactos:

  • Redução drástica da biodiversidade
  • Esgotamento de lençóis freáticos
  • Uso intensivo de agrotóxicos
    Agricultores familiares da região já relatam seca em suas propriedades vizinhas aos plantios da empresa.

O custo dos incentivos fiscais

O pacote de benefícios concedidos ao empreendimento inclui:

Isenção de ICMS por 15 anos

Terrenos públicos cedidos a preço simbólico

Infraestrutura financiada com dinheiro público


Enquanto isso, escolas e hospitais da região continuam subfinanciados.

Enquanto o discurso oficial fala em “progresso”, a realidade pode ser bem diferente. O caso da Arauco no MS revela os riscos de um modelo de desenvolvimento que privilegia grandes corporações em detrimento das necessidades reais da população e do meio ambiente.

Perguntas que não querem calar

Quanto do lucro da empresa ficará no Brasil?

Estima-se que apenas 12% do faturamento permanecerá no país, principalmente na forma de salários baixos e impostos reduzidos.

Quais as alternativas para um desenvolvimento mais justo?

Investimentos em industrialização de produtos agrícolas e turismo sustentável gerariam mais empregos qualificados e divisas.

A quem realmente interessa este projeto?

Estudos mostram que 78% da produção será exportada, beneficiando principalmente acionistas estrangeiros.