O cardiologista Victor Murad, de 90 anos, afirma que sofreu envenenamento sistemático por mais de um ano dentro da própria clínica, no Espírito Santo. Segundo o Ministério Público do Estado, a secretária de confiança, Bruna Garcia, desviou R$ 544 mil ao longo de 12 anos e, quando percebeu o risco de descoberta, passou a misturar arsênio na comida e na água de coco que oferecia ao médico durante a rotina de trabalho. Além disso, a perícia identificou exposição prolongada à substância por meio de exames técnicos. Enquanto isso, Murad enfrentava sintomas graves e sem diagnóstico claro, como dores intensas e fraqueza constante, e, como resultado, decidiu fechar o consultório que mantinha há mais de três décadas.
Laudo confirmou exposição prolongada ao arsênio
Peritos analisaram fios de cabelo do médico e identificaram presença contínua de arsênio. Como o metal desaparece rapidamente do sangue e da urina, a equipe técnica utilizou o exame capilar para comprovar a ingestão prolongada. O laudo apontou exposição por pelo menos um ano e três meses. Além disso, funcionários encontraram um frasco da substância escondido em um depósito da clínica após a demissão da secretária. A investigação também identificou que a compra ocorreu em nome do marido da acusada, embora a polícia tenha descartado participação dele.

Ministério Público aponta tentativa de homicídio e fraude
O promotor responsável detalhou que a secretária realizava transferências frequentes, com valores entre três e dez mil reais, inclusive no mesmo dia. Enquanto ela ostentava padrão de vida elevado, o médico percebia queda patrimonial sem explicação. Ele relatou dores intensas, vômitos com sangue, anemia profunda e agravamento do Parkinson. A Justiça mantém Bruna presa desde outubro. Ela responderá por tentativa de homicídio qualificado e fraude. A defesa nega as acusações e afirma que não existe prova direta de autoria.
Perguntas e respostas:
Peritos analisaram fios de cabelo e identificaram exposição prolongada ao arsênio.
O Ministério Público indica desvio de R$ 544 mil.
O laudo aponta exposição por pelo menos um ano e três meses

