Política

Advogados de Bolsonaro teriam pressionado família de delator via filha adolescente, acusa PF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro está sob investigação após acusações de que teria tentado influenciar a delação do tenente-coronel Mauro Cid, envolvendo contato frequente com sua família, inclusive com a filha menor. O caso chega ao Supremo Tribunal Federal (STF) e acende um debate sobre obstrução à Justiça.

Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Contatos com menor despertam preocupação

Segundo depoimentos à Polícia Federal, os advogados Fábio Wajngarten e Luiz Eduardo Kuntz teriam mantido contato “constante” com a filha adolescente de Mauro Cid entre setembro de 2023 e início de 2024, via WhatsApp e Instagram. A mãe do delator relatou que Wajngarten fez várias ligações, chegando a gravar uma delas, que teria sido persuativa para influenciar a defesa familiar.

Estratégia de “defesa conjunta”?

Mauro Cid afirmou que tentaram convencê-lo a adotar uma defesa conjunta com advogados ligados a Bolsonaro, abandonando sua colaboração premiada. Diante disso, o ministro Alexandre de Moraes viu indícios de obstrução e determinou a oitiva de Wajngarten, Bueno e Kuntz.

STF intervém e PF investiga

Para evitar alinhamento de versões, os depoimentos dos três advogados foram marcados para acontecer simultaneamente, na sede da PF em São Paulo, ainda nesta semana. A medida atende determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado envolvendo Jair Bolsonaro, Mauro Cid e outros investigados.

A Polícia Federal montou uma estrutura especial para conduzir as oitivas de forma sincronizada, garantindo que nenhum dos depoentes tivesse acesso prévio às informações prestadas pelos demais. A corporação também reforçou a segurança e a logística para que o procedimento ocorra sem interferências externas, sinalizando o grau de sensibilidade da investigação que envolve figuras próximas ao núcleo de confiança do ex-presidente.

Perguntas e respostas

Quem eram os advogados envolvidos?

Fábio Wajngarten, Paulo Bueno e Luiz Eduardo Kuntz.

Por que o STF marcou depoimentos simultâneos?

Para evitar que os advogados alinhem versões prévias.

Qual o risco dessa estratégia?

Ato pode configurar obstrução de Justiça.

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