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Idoso que viveu como escravo em fazenda no Mato Grosso é resgatado após 16 anos

Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram um idoso de 63 anos de condições análogas à escravidão em Juína, Mato Grosso, durante uma operação entre os dias 8 e 13 deste mês. O trabalhador, que não possui documentos pessoais, trabalhou por 16 anos como caseiro sem receber salário, cuidando de animais e realizando diversas manutenções na propriedade.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), os empregadores alegaram que forneciam comida, roupas e calçados em vez de salário, justificando que o idoso não teria capacidade de administrar dinheiro. Essa prática manteve o trabalhador em completa dependência dos patrões, impedindo sua liberdade.

Esse caso é um exemplo das diversas situações de exploração que ainda ocorrem no Brasil. Em 2023, até junho, as autoridades resgataram 1.443 trabalhadores de condições análogas à escravidão no país. Mato Grosso apresentou ocorrências frequentes. O Ministério do Trabalho e Emprego coordenou as ações de resgate em parceria com o MPT, a Polícia Federal e a Defensoria Pública da União.

A exploração do trabalhador em Juína reflete uma problemática mais ampla. Os dados revelam um aumento significativo de casos no estado, onde as autoridades resgataram 33 trabalhadores em 2022. Esses trabalhadores frequentemente enfrentam condições degradantes, falta de acesso a água potável e instalações sanitárias inadequadas.

A equipe de resgate encaminhou o idoso a um abrigo e oferecerá assistência para ele obter seus documentos pessoais e direitos trabalhistas. As autoridades notificaram os empregadores para regularizar a situação e efetuar o pagamento das verbas devidas. Casos como este destacam a importância das operações de fiscalização e da conscientização sobre os direitos dos trabalhadores, visando erradicar práticas abusivas e garantir condições dignas de trabalho.