Na última quarta-feira (2/10), o governo da Ucrânia conseguiu retirar 179 pessoas do país, entre elas um brasileiro. No entanto, autoridades ucranianas afirmam que poderiam ter resgatado mais brasileiros, caso o governo brasileiro tivesse respondido às ofertas de ajuda. A Ucrânia relatou que tentou entrar em contato com o Brasil, oferecendo vagas no voo de repatriação, mas não obteve retorno.
Falta de resposta do governo brasileiro
Desde a semana anterior ao resgate, o governo ucraniano consultou o Brasil sobre a possibilidade de incluir cidadãos brasileiros na operação de evacuação. Contudo, o Brasil não deu retorno, o que impossibilitou o resgate de mais pessoas. Apenas um brasileiro conseguiu embarcar na aeronave ucraniana, após procurar por conta própria a embaixada da Ucrânia em Beirute e solicitar ajuda diretamente.
Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro não se pronunciou sobre a falta de resposta. A imprensa brasileira buscou explicações, mas o Itamaraty segue sem fornecer esclarecimentos, o que gerou questionamentos sobre a agilidade da diplomacia brasileira em situações de emergência.
Brasil inicia operação de repatriação
Apesar da falta de resposta ao governo ucraniano, o Brasil já colocou em prática sua própria operação de resgate. Na última segunda-feira (30/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o início da “Operação Raízes do Cedro”. O governo enviou uma aeronave KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB) para resgatar cerca de 220 brasileiros que solicitaram ajuda. A missão foi criada em resposta à escalada da violência no Líbano, que continua a colocar em risco a vida de milhares de pessoas.
O Itamaraty informou que mais de 3 mil brasileiros já pediram auxílio para deixar o território libanês, o que pressiona ainda mais as autoridades brasileiras a realizarem novas operações de resgate. O governo estuda alternativas para viabilizar o retorno seguro de seus cidadãos, considerando até a cooperação com outros países, como Rússia e Síria, para facilitar o transporte e segurança das operações.
Repercussão diplomática
O caso gerou repercussão internacional, uma vez que a Ucrânia mostrou disposição em auxiliar os brasileiros em uma situação crítica. A falta de resposta por parte do Brasil levantou preocupações sobre a eficiência e a agilidade da diplomacia brasileira em emergências. A cooperação internacional em cenários de crise pode ser vital para salvar vidas, e o episódio destacou a necessidade de uma comunicação mais rápida e coordenada entre países aliados.
Enquanto isso, a situação no Líbano continua a se agravar, com os ataques entre Israel e Hezbollah se intensificando. O Brasil precisará agir rapidamente para garantir que seus cidadãos não fiquem à mercê do conflito. O sucesso da “Operação Raízes do Cedro” será um teste para a diplomacia brasileira e sua capacidade de gerir crises humanitárias complexas.

