As intensas chuvas que assolam o Rio Grande do Sul há cerca de 20 dias têm se revelado a maior tragédia climática da história do estado. Com pelo menos 154 mortos e mais de 2,1 milhões de pessoas afetadas, o impacto é devastador. Além disso, 98 pessoas ainda estão desaparecidas, o que agrava a situação de calamidade.
Esse cenário levanta um alerta para outros estados brasileiros que já enfrentaram episódios de enchentes e inundações. Em Mato Grosso, a preocupação também é grande, especialmente em municípios como Cuiabá e Várzea Grande. Apesar da presença da Usina do Manso, as fortes chuvas podem causar enchentes significativas, conforme alerta o geólogo Caiubi Kuhn. Professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO).
Kuhn enfatiza que a Usina do Manso não é uma garantia contra inundações. “Fortes chuvas no lado direito do rio Cuiabá, onde está localizada a cidade, podem aumentar o volume da água e provocar enchentes”, explica. A precariedade da Defesa Civil de Mato Grosso agrava ainda mais a situação. Pois o órgão não possui equipes técnicas permanentes nem um setor técnico para suporte em eventos extremos.
No Rio Grande do Sul, a sequência de tempestades começou no final de abril. Provocada por uma frente fria associada a uma área de baixa pressão sobre o mar e um fluxo de umidade vindo do norte do país. A precipitação intensa, que variou de 500 a 700 mm em algumas regiões, corresponde a um terço da média anual de chuvas do estado.
Sequências de tempestades
A tragédia gaúcha sublinha a necessidade de medidas preventivas e de resposta rápida em todo o Brasil. A adequação das infraestruturas urbanas e o fortalecimento das defesas civis são essenciais para mitigar os impactos dos desastres naturais. Que tendem a se intensificar devido às mudanças climáticas. A conscientização e a preparação são passos cruciais para proteger as populações vulneráveis e minimizar perdas humanas e materiais em futuras crises climáticas.
