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Livros, memória e pertencimento: Festival Sapicuá de Literatura Infantil chega às escolas de MT

Larissa Silva Freire, coordenadora geral da Casa Silva Freire. Foto: Henrique Santian. Via: Divulgação

O Festival Sapicuá de Literatura Infantil Mato-grossense vai movimentar as escolas públicas de Cuiabá e do interior em setembro. O evento vai muito além do incentivo à leitura. Ele fortalece a educação patrimonial, promove a identidade regional e convida as crianças a se reconhecerem como protagonistas de suas próprias histórias.

O projeto, realizado pela Casa de Cultura Silva Freire em parceria com a Entrelinhas Editora, entrega uma coletânea de livros infantis que mergulham nas raízes culturais de Mato Grosso. A proposta, além de oferecer acesso à literatura, promove encontros pedagógicos com autores, ilustradores e professores, fomentando uma educação baseada no pertencimento cultural.

As atividades incluem oficinas que incentivam as crianças a produzirem suas próprias narrativas, reforçando a conexão com o território, a natureza e as tradições locais.

A criança no centro da educação

Em suma o Festival Sapicuá adota uma metodologia que reconhece a criança como autora da sua própria história. Ao desenvolver atividades que estimulam a criação de textos e desenhos, os alunos passam a refletir sobre a cultura local, o meio ambiente e a importância de preservar a memória coletiva.

Daniela Freire, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância da UFMT, acompanha essa prática há quase duas décadas. Ela afirma que as escolas que aplicam essa abordagem já percebem resultados positivos, como o fortalecimento do senso de pertencimento e da consciência sobre o patrimônio cultural.

Literatura que valoriza o jeito cuiabano de ser

A coletânea Sapicuá reúne seis obras que dialogam diretamente com o imaginário e os costumes do povo mato-grossense. Os livros — como Pantanimais, Tempo Passarinho e Bugrinho, que menino é esse? — resgatam lendas, fauna, flora e expressões típicas da região.

De acordo com Larissa Silva Freire, coordenadora da Casa Silva Freire, a ideia é enfrentar os desafios da crise climática e do esquecimento cultural, levando para as salas de aula a noção de “cuiabania”. O conceito, criado pelo poeta Silva Freire, representa os modos de ser, viver e se relacionar no Vale do Rio Cuiabá.

Sapicuá: mais que um festival, um guardião de memórias

Sobretudo o nome do festival carrega um forte simbolismo. Sapicuá é um balaio tradicional usado por povos indígenas, pantaneiros e ribeirinhos para guardar e transportar itens essenciais. Assim como esse objeto protege alimentos e sementes, o festival guarda e compartilha saberes, histórias e a cultura viva de Mato Grosso.

Por fim a parceria entre a Casa de Cultura Silva Freire e a Entrelinhas Editora, consolidada há mais de 30 anos, reforça o compromisso com a formação de leitores, a preservação da memória e a valorização da cultura local.

Perguntas frequentes:

O que significa Sapicuá?

É um balaio indígena usado para guardar e transportar itens essenciais, símbolo de memória e resistência.

Quem pode participar do Festival Sapicuá?

Estudantes, professores, autores, ilustradores e toda a comunidade escolar.

Quais livros fazem parte da coletânea?

São seis: Embaúba, Bichos que escrevem, Bugrinho, Tempo Passarinho, Varinhas Mágicas e Pantanimais.