Brasil e Mundo

Vídeo mostra juiz discutindo com vítima de tentativa de feminicídio durante audiência; Veja vídeo

Screenshot

Um vídeo obtido com exclusividade pela imprensa colocou um magistrado do Distrito Federal no centro de uma investigação disciplinar conduzida pela Corregedoria Nacional de Justiça. As imagens mostram o juiz Olair Teixeira Oliveira Sampaio durante uma audiência em que ele eleva o tom de voz ao conversar com uma vítima de tentativa de feminicídio.

O caso ganhou repercussão em meio aos debates sobre revitimização de mulheres no sistema de Justiça. O procedimento será analisado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Audiência ocorreu durante ação penal

A sessão foi realizada em dezembro de 2023 e tratava de uma tentativa de feminicídio qualificado registrada meses antes em via pública.

Segundo as informações do processo, a vítima sofreu agressões na cabeça e só foi socorrida após a intervenção de testemunhas e policiais militares.

A audiência contou com a participação da vítima, do magistrado, de representantes do Ministério Público, da defesa e de testemunhas.

Gravação registra momentos de tensão

Nas imagens, o juiz aparece repreendendo a vítima após ela demonstrar insatisfação com perguntas repetidas feitas pela defesa do réu.

Durante a audiência, o magistrado eleva o tom de voz e afirma que poderia interromper o depoimento caso ela não mudasse sua postura.

Em outro momento, ele também utiliza o termo “arrogante” para se referir à mulher.

CNJ deverá analisar a conduta

A gravação da audiência foi preservada porque as sessões virtuais seguem diretrizes que determinam o registro integral dos atos processuais.

Agora, o material integra o procedimento que apura a atuação do magistrado.

O caso ocorre em um momento de discussão nacional sobre a forma como vítimas de violência são tratadas durante processos judiciais.

A análise do Conselho Nacional de Justiça deverá avaliar se a condução da audiência respeitou os princípios previstos para o acolhimento e a proteção de vítimas durante depoimentos. Até o momento, não foi divulgada uma decisão sobre o procedimento disciplinar. O episódio reacendeu debates sobre o equilíbrio entre o direito de defesa e a necessidade de evitar situações que possam causar constrangimento ou revitimização a pessoas que relatam episódios de violência perante a Justiça.