A atriz britânica Clare McCann, conhecida por trabalhos no teatro e na televisão do Reino Unido, entrou com um pedido judicial para congelar o corpo do filho de 13 anos, diagnosticado com uma doença neurodegenerativa terminal. A proposta envolve o uso da criogenia, técnica controversa que visa preservar corpos a baixíssimas temperaturas com a esperança de que, no futuro, a ciência possa curá-los e trazê-los de volta à vida.
O caso ganhou destaque internacional pela natureza inusitada do pedido e pelas implicações legais e éticas. McCann afirma que deseja garantir uma “segunda chance” ao filho, que sofre com degeneração progressiva e irreversível do sistema nervoso.
O que é criogenia e como funciona?
A criogenia é um processo de preservação corporal a temperaturas extremamente baixas, geralmente abaixo de -196 °C, utilizando nitrogênio líquido. Cientistas já aplicaram a técnica em humanos, mas ainda não comprovaram cientificamente que a reversão seja possível.
Empresas especializadas oferecem esse serviço por valores que ultrapassam US$ 200 mil. Apesar de controversa, a prática tem adeptos em países como Estados Unidos, Rússia e China. No Reino Unido, a criogenia não é ilegal, mas também não possui respaldo médico oficial.
Clare McCann trava batalha jurídica com o pai da criança
Clare enfrenta oposição direta do pai da criança, que discorda da criopreservação e exige um enterro tradicional. A disputa jurídica se tornou pública e colocou em debate o direito dos pais sobre o destino do corpo de um filho menor de idade. O caso remete a outra jovem britânica que, em 2016, obteve autorização da Suprema Corte do Reino Unido para ser criopreservada após morrer de câncer.
McCann afirma que deseja “honrar a vida do filho da maneira mais promissora possível” e acredita que a tecnologia futura poderá reverter a condição fatal. O caso segue em análise pela Justiça britânica.
Debate ético e científico divide especialistas
A criogenia divide opiniões. Para defensores, trata-se de uma “última esperança científica”. Para críticos, é um mercado exploratório que se aproveita do desespero de famílias vulneráveis. Não há, até hoje, nenhum caso documentado de ressuscitação ou cura de uma pessoa criopreservada.
O episódio de Clare McCann evidencia como a tecnologia avança mais rápido do que a legislação e a ética conseguem acompanhar, forçando tribunais e a sociedade a reavaliarem conceitos como morte, esperança e consentimento.
Perguntas e respostas
Sim, a criogenia não é proibida por lei, mas não possui respaldo médico ou científico oficial. É tratada como uma decisão pessoal, e casos envolvendo menores exigem autorização judicial.
O pai discorda da criopreservação e quer realizar um funeral tradicional, o que gerou o impasse jurídico. A Justiça agora precisa decidir quem tem autoridade final sobre o corpo do menino.
Até o momento, não há provas de que seja possível reverter o congelamento de um corpo humano e trazê-lo de volta à vida. A técnica é experimental, sem resultados concretos.

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