Política

Brincadeira de “dança da chuva” com cocar e arco revolta indígenas em Juara; Veja vídeo

Uma gravação feita dentro da Prefeitura de Juara gerou indignação e revolta entre os povos indígenas do Mato Grosso. No vídeo, dois servidores públicos simulam uma “dança da chuva” utilizando cocares, arcos e flechas, símbolos sagrados da cultura indígena. A gravação, feita no ano passado, voltou a circular nesta semana e repercutiu negativamente entre lideranças da etnia Apiaká.

Os protagonistas do vídeo são o então chefe de gabinete Antônio José Santana Neto e o atual secretário municipal de Finanças, José Roberto Pereira Alves. Ambos aparecem rindo e imitando movimentos que, segundo representantes indígenas, ridicularizam rituais e costumes sagrados.

Povos originários denunciam discriminação cultural

A etnia Apiaká, com forte presença em Mato Grosso, repudiou publicamente o vídeo. Em nota, afirmaram que o ato representa “uma tentativa de difamar e desrespeitar a identidade dos povos indígenas”. Lideranças pedem providências jurídicas e querem a inclusão de pautas sobre diversidade e cultura nos treinamentos de servidores públicos do município.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi acionada para acompanhar o caso. Entidades de direitos humanos também se manifestaram sobre a necessidade de responsabilização e reparação.

Impacto político e possíveis sanções administrativas

O caso repercutiu no cenário político local. Vereadores oposicionistas cobraram uma postura mais firme do prefeito Carlos Sirena, enquanto a base governista tenta minimizar o episódio. A Câmara Municipal estuda convocar os envolvidos para prestar esclarecimentos, e o Ministério Público poderá investigar a conduta administrativa.

No setor público, o episódio acende o alerta sobre a responsabilidade ética de quem ocupa cargos de gestão. Além disso, especialistas em direito administrativo apontam que atos de discriminação cultural podem configurar infrações graves à moralidade pública.

Perguntas e respostas

O que a etnia Apiaká disse sobre o vídeo?

Eles denunciaram o ato como discriminatório e pediram providências legais.

A Funai foi envolvida no caso?

Sim, representantes da fundação já acompanham o desdobramento da denúncia.

Os envolvidos ainda ocupam cargos públicos?

O secretário de Finanças segue no cargo; o chefe de gabinete já deixou o posto.