Apagão cibernético causa caos global: falha no software da Microsoft

Nesta sexta-feira, uma falha de software gerou um caos em sistemas de computadores em todo o mundo. A falha impactou diversos setores, desde a aviação até os serviços bancários, e até tirou emissoras de TV do ar. A atualização de um produto da empresa de segurança cibernética CrowdStrike causou essa crise, afetando principalmente clientes que usam o sistema operacional Windows, da Microsoft.

A falha no software afetou diversas indústrias, gerando cancelamentos e atrasos de voos, além de interrupções em serviços bancários e emissoras de TV. Ao redor do mundo, mais de 2,3 mil voos foram cancelados e quase 24 mil sofreram atrasos, de acordo com a plataforma FlightAware. No Brasil, empresas aéreas como Gol e Latam informaram que não sofreram impactos significativos, enquanto a Azul relatou atrasos pontuais. O aeroporto de Viracopos, em São Paulo, também enfrentou problemas, prejudicando voos da companhia no terminal.

CrowdStrike e Microsoft

A Microsoft corrigiu o problema rapidamente, enquanto George Kurtz, CEO da CrowdStrike, afirmou que a empresa estava “trabalhando ativamente com clientes afetados por um defeito encontrado em uma única atualização de conteúdo para hosts do Windows”. Kurtz enfatizou que o problema não se tratava de um incidente de segurança ou ataque cibernético, mas sim de um defeito técnico.

Setor bancário

Os bancos brasileiros também sentiram os efeitos da falha. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que a maioria das instituições financeiras já normalizou seus serviços, com alguns bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Neon, Next e Banco Pan enfrentando problemas de acesso pela manhã. No entanto, a situação foi rapidamente controlada, e a Febraban garantiu que a prestação de serviços não sofreu comprometimentos relevantes. O Banco Central e a B3, bolsa de valores brasileira, confirmaram que seus sistemas funcionaram normalmente durante o incidente.

Impacto no mercado financeiro

A falha de software também afetou o mercado financeiro. As ações da CrowdStrike caíram até 21% nas negociações pré-mercado. A Microsoft e outras empresas ligadas a viagens e lazer também sofreram perdas à medida que os investidores avaliaram a possível interrupção para os turistas. Dispositivos pessoais, como notebooks e celulares, não apresentaram problemas significativos, com o impacto concentrando-se principalmente em empresas.

Medidas e monitoramento do software

A CrowdStrike, sediada em Austin, Texas, é uma empresa listada tanto no S&P 500 quanto no Nasdaq. Fundada há 13 anos, a empresa emprega quase 8.500 pessoas e tem entre seus principais produtos a plataforma de segurança cibernética CrowdStrike Falcon, presente em sistemas de governos e grandes corporações desde 2011. A empresa ganhou notoriedade pública por investigações de ataques cibernéticos, incluindo a invasão do sistema da Sony Pictures em 2014.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) monitora a situação e mantém contato com operadores aéreos e aeroportuários para minimizar impactos no setor aéreo. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, declarou em suas redes sociais que acompanha as operações no Brasil em conjunto com a Anac.