No centro de Cuiabá, um casarão histórico que pertenceu a Oscarino Ramos, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em 1940, enfrenta grave deterioração. Abandonado há seis anos e antiga sede do Iphan até 2018, o imóvel exibe sinais de desgaste e umidade.
Localizado na Rua 7 de Setembro, o imóvel é um exemplo notável da arquitetura oitocentista cuiabana. Tombado pelo Iphan em 1988, o casarão é um testemunho da rica história arquitetônica da cidade. No entanto, o atual estado de abandono ameaça sua integridade. Pintura descascada, manchas de umidade nas paredes e a porta principal de madeira lascada são evidências visíveis da negligência.
Abandono e incêndio
Desde 2018, não há movimentação no imóvel. Vanderlei Reis, proprietário de um comércio na mesma rua, confirma o abandono prolongado. “Quase não tem comércio aqui perto, e já tem uns seis anos que tá abandonado e parado. Acho que nunca vi ninguém nem entrar lá”, comentou.
A situação piorou em 22 de junho deste ano, quando um incêndio sem causa conhecida danificou ainda mais a estrutura. O Corpo de Bombeiros, acionado durante a madrugada, teve que quebrar as grades de uma janela para combater as chamas.
História e descaso
O SPHAN adquiriu o casarão, provavelmente construído no fim do século XVIII, em 1988. Revitalizado entre 1990 e 1993, o imóvel abrigou a Superintendência do Iphan-MT. Em outubro de 2023, interromperam os projetos de restauração iniciados em 2019 devido a alterações no projeto e falta de financiamento.
A desocupação do imóvel estava pendente devido à indisponibilidade de outra sede para a Superintendência. Estudos recentes revelaram que as madeiras utilizadas na edificação estão intensamente deterioradas, necessitando de substituição.
Futuro incerto
O casarão integra o Novo PAC, que prevê sua restauração para abrigar a Casa do Patrimônio, mas sem data confirmada para início das obras.
A situação do casarão histórico de Cuiabá reflete o descaso com o patrimônio cultural. Precisamos tomar ações urgentes para preservar esse importante marco da história cuiabana e garantir que futuras gerações apreciem e aprendam com sua rica herança arquitetônica.

