A apreensão de um adolescente de 16 anos durante a Operação Desconectado revelou, na cidade da Serra, no Espírito Santo, um esquema de violência digital de extrema gravidade que chocou investigadores e acendeu um alerta nacional. Segundo a Polícia Civil, o jovem criou, liderou e administrou um grupo criminoso que utilizava a internet para promover sofrimento psicológico intenso, violência física e atos de crueldade transmitidos ao vivo, atingindo crianças e adolescentes em diferentes estados do Brasil e também no exterior, enquanto mantinha fora do ambiente virtual uma rotina aparentemente comum e discreta.
Transmissões ao vivo e violência sem limites
De acordo com a investigação, o grupo atuava principalmente em plataformas como Discord e Telegram, onde realizava transmissões ao vivo com cenas de extrema violência. Nessas transmissões, conforme a Polícia Civil, ocorriam ordens diretas para a prática de maus-tratos contra animais, incluindo mortes deliberadas, degolações e mutilações, como cortes de patas, tudo exibido em tempo real para os participantes. Além disso, o adolescente estimulava a escalada da crueldade, incentivava novos atos e reforçava uma cultura de sadismo digital organizada e contínua.
Aliciamento, chantagem e resposta policial
A apuração apontou que o esquema se sustentava pelo aliciamento de vítimas em situação de vulnerabilidade emocional, isolamento social ou sofrimento psíquico. Em seguida, o adolescente utilizava chantagem, ameaças e intimidações para manter o controle, inclusive com coação envolvendo familiares. Durante o cumprimento do mandado, a polícia apreendeu celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. A análise preliminar revelou grande volume de material criminoso. Como resultado, o jovem foi encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo e responderá por atos infracionais graves, sob segredo de Justiça.
Perguntas e respostas:
As transmissões exibiam atos extremos de crueldade, incluindo mortes, degolações e mutilações de animais, tudo em tempo real.
Ele explorava o anonimato da internet, usava plataformas fechadas e exercia controle psicológico sobre os participantes.
Porque mostra que a violência digital pode ocorrer dentro de casa, de forma silenciosa, com consequências reais e brutais.

